O que é Oficina de Afeto?

No início de 2006, retornei à sala de aula, exatamente para a mesma escola onde, há 28 anos, me descobri educador. Foi um reencontro marcante. A realidade já não era a mesma de anos atrás. Agressões, intolerância, violência e até rebeliões, isso mesmo, rebeliões de alunos, fizeram-me duvidar se aquele era mesmo o espaço do saber e do prazer, do ensinar e do aprender. Precisava urgentemente rever conceitos e reaprender a ser educador. Sobrevivente por duas décadas com o salário de professor, precisava sobreviver aos embates de uma sala de aula. Ali estava eu, diante de adolescentes feridos, machucados pela vida, comprometidos em sua capacidade de expressar carinho e afeição. Só havia uma saída: a oficina. Não uma oficina de veículos ou objetos, mas de gente, uma Oficina de Afeto. Com ela, eu e os alunos viajamos em nosso mundo interior, o território das emoções, verbalizamos nossos sentimentos e os registramos, com o objetivo de resgatar a autoestima e liberar o desejo de aprender.


Na oficina de afeto, as atividades fluem com simplicidade, como simples é o ato de educar. Inicialmente, foi preciso parar e ouvi-los. Através de uma atividade, por eles mesmos denominada “Minha nada mole vida”, relataram-me toda sua realidade de vida, suas raízes e origens, rejeições e conflitos, a “fome” de pai, os sonhos frustrados. Comecei a falar menos, ouvir mais e uma forte relação de empatia foi sendo construída entre nós. E foi nesse contexto de entrosamento e respeito que surgiram as demais atividades na oficina: os círculos de afetividade, o diário das emoções, a cartografia do afeto, "Eu sou um Iceberg" e muitas outras.

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